European Space Design Competition 2022

      Na    crónica que se segue, detalho a minha experiência na Global Space Design Competition. Esta atividade é organizada pela SSEF (Space Science and Engineering Foundation), uma fundação que se dedica à educação para a ciência (no seu sentido mais amplo), e tem como objetivo expor jovens entre os 15 e os 18 anos ao funcionamento da indústria espacial, simulando-a.

          A competição começa com grandes grupos de jovens. Neles, capacidades em todas as áreas serão valorizadas – desde arte a economia – já que se organizarão em corporações fictícias, com hierarquia e departamentos próprios.

 

           Segue-se o meu testemunho:

 

“Marta, recebi aqui uma competição, do espaço, que acho que és capaz de gostar. Se ganhares, poderás ir à NASA!”.

- Professora Sofia Gaspar, 2022

 

          Mal eu sabia que seria com estas palavras que eu começaria uma aventura.

 

         A competição em questão chamava-se Portugal Space Design Competition – PTSDC. De que se tratava, pouco sabia eu; nem pelo e-mail informativo, nem pelo website da competição – e isto decerto não foi por falta de pesquisa (mas talvez por nunca ter, até então, experienciado algo semelhante).

         Sabia, porém, que ou (1) teria de participar sozinha ou (2) numa equipa de pelo menos 4 elementos. Como a competição, online, teria lugar durante um sábado inteiro, fiquei decidida em fazê-lo num team effort*, a não ser que não houvesse alternativa (a alternativa de não participar, claro, não existia; não se diz que não a um bom desafio).

       Como qualquer dedicada estudante do secundário, naturalmente, esperei até à véspera do evento para me inscrever. E foi por isso que, na véspera, corri freneticamente pela escola, invadindo salas de aula**, sempre com a mesma pergunta “Algum de vocês quer ser engenheiro?”. A resposta foi quase sempre um “Não...”.

       Mas não desesperemos: no fim, (três) (dois)*** um dos meus colegas aceitou o desafio: o João Neto.

        Tinha uma última esperança – uma amiga fora da escola. Ela aceitou e trouxe outra amiga. A equipa estava completa.

 

        Finalmente, chegou o dia: 5 de março de 2022. Ou melhor, 5 de março de 2052. A tarefa que nos foi proposta – à nossa equipa e aos outros 8 elementos da empresa fictícia em que fomos colocados – foi o design de um laboratório espacial fixado num cometa.

      O entregável final desta tarefa seria um PowerPoint com cerca de 20 slides, com uma apresentação de 20 minutos.

       O nosso dia começou às 8h30, soubemos os detalhes às 10h e às 18h30 foi o prazo para a entrega dos trabalhos. Por volta das 19h, a nossa empresa apresentou a sua proposta.

 

        Foram 8:30h de pressão, de stress, de gritos, de risos, e de Eurecas incontáveis – com horas de almoço e jantar peculiares, note-se ainda.

     Nenhum de nós esperava uma vitória, apesar de todo o esforço, porque os nossos adversários pareceram-nos espetaculares. Mas conseguimo-la! E foi uma sensação maravilhosa!

 

         Podem consultar a apresentação aqui.

 

     Esta vitória, porém, não nos levou à NASA: levou-nos à fase europeia, que decorreu entre os dias 1 e 3 de abril. A European Space Design Competition (ou EUSDC).

 

       Alerta spoiler – a fase europeia não foi um tão grande sucesso. Desta vez, a tarefa proposta foi uma colónia cultural, para a qual seriam levadas peças de arte da Terra, em Phobos, uma das luas de Marte.

        O produto final teria de ser semelhante – um PowerPoint e apresentação – mas, desta vez, a apresentação duraria 30 minutos. Isto implicou, claro, um trabalho mais complexo.

          O fim de semana começou com um briefing sobre o tema e a competição, e deixaram-nos nas nossas mãos. Desta vez, fiquei ainda mais entusiasmada, pois fui eleita Presidente da empresa.

        Foram dois dias de horas incansáveis em frente do computador, num exercício mental criativo e analítico, e a criar inesperados laços com estudantes de outros países europeus – Itália, Espanha, Bulgária, França, ...

Infelizmente, a decisão final do júri não favoreceu a nossa empresa.

 

        Podem consultar a apresentação aqui.

 

    Não ganhámos, mas gosto de saber que também não perdemos. Não perdemos devido ao conhecimento que adquirimos. Aos métodos eficazes de trabalho que provámos a nós próprios saber aplicar. A todas as pessoas espetaculares com quem tivemos o prazer de interagir. Às portas que, quem sabe, esta experiência nos poderá abrir no futuro.

          Sei que não perdemos, acima de tudo, porque gostámos muito de participar.

 

Gostava de acabar este meu testemunho dizendo que, embora não possa voltar a participar para o ano, encorajo que, qualquer aluno que tenha partilhado do meu entusiasmo até aqui, o faça. Se tudo correr bem, vou lá estar como voluntária, e tentarei tornar a vossa participação tão memorável quanto a minha.

 

Marta Vasconcelos

 

PS.: No dia 9 de abril, recebi um e-mail da organização da competição, que me informou que a empresa (fictícia, ou seja, a nossa equipa) votou em mim para representar a Europa na fase final, na NASA, tendo assim ganho um golden ticket****. Fiquei estupefacta e sem palavras. Por isso, deixo as de outra pessoa:

 

“Acredito muito na sorte; verifico que quanto mais trabalho mais a sorte me sorri.”

- Thomas Jefferson

 

* Os anglicismos são propositados, no bom espírito da competição, feita totalmente em inglês.

** Por este mesmo motivo, creio que devo, mais uma vez, um pedido de desculpas à professor Carla Vaz J

*** Correção necessária devido a desistências de última hora.

**** Bilhete dourado, que me classifica para a ISSDC (International Space Settlement Design Competition). As empresas que perderam puderam eleger 2 elementos para os receber.

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       Depois, terão todos os desafios da dinâmica de uma empresa real – acima de tudo, de comunicação e tempo – para concretizar uma proposta de projeto de design de uma colónia espacial. São sempre apoiados pelos elementos do staff da competição, que tomam o papel de CEO e de Orientador Técnico. Os detalhes variam, mas o projeto é sempre ambicioso.

Hierarquia de cada empresa. Retirada do website da competição.